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Guia de álbum clássico

One Nation Underground

Pearls Before Swine · 1967 · Rock psicodélico / Folk

Lançado pela ESP-Disk em outubro de 1967, One Nation Underground é o álbum de estreia de dez faixas do Pearls Before Swine, gravado em quatro dias no Impact Sound por Tom Rapp, Wayne Harley, Lane Lederer e Roger Crissinger, com o percussionista Warren Smith.

Lançado em outubro de 1967Álbum de estreia com dez faixasESP-Disk ESP 1054
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O disco

Visão geral

Artista
Pearls Before Swine
Lançamento
Outubro de 1967
Álbum
Álbum de estreia em estúdio
Faixas originais
Dez
Gravadora
ESP-Disk ESP 1054
Produtor
Richard Alderson

Por que importa

Uma linguagem folk-psicodélica artesanal, com a política entranhada em sua textura

One Nation Underground estabeleceu o Pearls Before Swine como algo que não era nem um grupo folk convencional nem uma banda de rock psicodélico com instrumentos acústicos. A interpretação baixa e frágil de Tom Rapp carrega lembranças pessoais e raiva política sem se transformar na voz declamatória de um cantor de protesto. Wayne Harley, Lane Lederer e Roger Crissinger dão às canções um conjunto singular de banjo, auto-harpa, bandolim, vibrafone, sarangi, corne inglês, celesta, órgão, cravo e clavioline. A bateria e a percussão de Warren Smith sustentam as sessões como contribuição delimitada de um convidado, sem redefinir o grupo de quatro integrantes.

O programa inclui seis composições somente de Rapp, uma colaboração Rapp-Crissinger, uma adaptação de Teasdale, uma canção de Saxie Dowell e um final de Lederer-Crissinger. Essa autoria torna a estreia mais ampla que um álbum de compositor solo, embora Rapp seja seu principal cantor e autor. Uncle John leva a Guerra do Vietnã à sequência, enquanto Miss Morse usa obscenidade codificada e maneiras antigas para fazer a sátira soar enganosamente cortês. Sua realização é a tensão em volume baixo: beleza, temor, humor e recusa coexistem sem que a música finja que 1967 formava uma única cultura otimista.

Nova York, maio de 1967

Quatro músicos da Flórida entram numa sala de quatro pistas em Nova York

Rapp formou o Pearls Before Swine na Flórida com os amigos de escola Harley, Lederer e Crissinger. O grupo enviou uma demo à ESP-Disk, gravadora independente de Nova York mais conhecida pelo free jazz e por outras músicas fora do circuito comercial. A ESP levou os músicos a Nova York para o primeiro álbum, em vez de exigir uma carreira de turnês já estabelecida. Eles gravaram no Impact Sound de 6 a 9 de maio de 1967.

Richard Alderson produziu, dirigiu, gravou e mixou as sessões, trabalhando com o grupo nos arranjos. O cronograma compacto de estúdio preservou o som de músicos descobrindo como sua coleção incomum de instrumentos poderia funcionar em conjunto. A ESP lançou o resultado com o número de catálogo 1054 em outubro de 1967. Balaklava veio em 1968, ampliando o círculo de convidados e o enquadramento antiguerra, mas mantendo Rapp, Harley e Lederer.

Quatro integrantes e um convidado

As canções de Rapp dentro de uma estreia instrumental genuinamente coletiva

Tom RappVocais principais e guitarra; compositor principal
Wayne HarleyAuto-harpa, banjo, bandolim, vibrafone, oscilador de áudio e vocais de harmonia
Lane LedererBaixo, guitarra, corne inglês, swinehorn, sarangi, celesta, címbalos de dedo e vocal principal em The Surrealist Waltz
Roger CrissingerÓrgão, cravo e clavioline; coautor de duas faixas
Warren SmithBateria e percussão como convidado
The Swine ChorusVocais de harmonia adicionais
Richard AldersonProdução, direção, engenharia, mixagem e assistência nos arranjos
Elmer Gordon e David HancockAssistência de produção e masterização

A guitarra e a voz de Rapp dão continuidade, mas os arranjos raramente o deixam sozinho; outro instrumento costuma alterar o sentido emocional da canção. O banjo e a auto-harpa de Harley podem fazer uma performance soar socialmente familiar, enquanto oscilador e vibrafone desestabilizam essa familiaridade. Lederer oferece a maior amplitude acústica do disco, passando da base de baixo para sarangi, corne inglês, celesta e címbalos de dedo. Seu vocal principal em The Surrealist Waltz dá o único centro vocal que não é de Rapp a uma canção que ele coescreveu.

O órgão, o cravo e a clavioline de Crissinger ajudam o álbum a transitar entre a formalidade de uma sala antiga e a estranheza eletrônica. A percussão de Smith é importante, mas específica de um convidado; ele não deve ser acrescentado à formação oficial da Flórida. The Swine Chorus torna comunitários alguns refrões sem esconder a pequena escala da sessão real. As muitas funções de produção de Alderson são audíveis na coerência de instrumentos que facilmente poderiam ter soado como curiosidades sem relação entre si.

Intensidade silenciosa

Banjo, teclados camerísticos, um sopro inventado e inquietação eletrônica

Another Time abre com contenção acústica, permitindo que o encontro de Rapp com a mortalidade chegue sem encenação dramática. Playmate pega uma canção popular preexistente e coloca seu convite dentro de uma sonoridade de conjunto conduzida pelo banjo e levemente estranhada. Ballad to an Amber Lady usa seus cinco minutos para cravo, voz e uma textura camerística mutável, não para uma pausa instrumental convencional. Miss Morse comprime sua piada codificada em menos de dois minutos, combinando uma maneira vocal formal com banjo e teclado.

Drop Out! encerra o lado um transformando um slogan da época numa recusa mais sombria e prolongada.

Morning Song inicia o segundo lado numa renovação serena, antes que Regions of May introduza distância sazonal e cores instáveis. Uncle John concentra de repente a política num breve pronunciamento antiguerra; I Shall Not Care responde com fatalismo em camadas e texto adaptado. The Surrealist Waltz substitui o vocal de Rapp pelo de Lederer e deixa seu título em compasso ternário inclinar-se para um final que recusa um encerramento comum.

Guia de faixas

Dez canções em dois lados de contraste acentuado

01

Another Time

A primeira canção escrita por Rapp começa com a sobrevivência lembrada à distância. Guitarra acústica e sombras esparsas do conjunto deixam a origem num acidente de carro sem ser declarada na performance; a música se concentra em como uma vida pode continuar em outro tempo.

02

Playmate

O grupo coloca a conhecida canção popular de Saxie Dowell entre banjo, auto-harpa e um arranjo acolhedor, mas não nostálgico. A simplicidade emprestada se torna contraponto para a linguagem mais estranha que vem depois.

03

Ballad to an Amber Lady

Rapp e Crissinger estendem o primeiro lado numa balada camerística de cor suspensa. O cravo e os sopros e cordas incomuns do grupo fazem a figura de âmbar parecer preservada, luminosa e inalcançável, sem lhe atribuir uma única identidade literal.

04

(Oh Dear) Miss Morse

Rapp disfarça uma obscenidade codificada com cortesia antiga e um cenário compacto de banjo e teclado. A piada depende do contraste: o tratamento formal e a transmissão da era do rádio carregam uma mensagem que o título educadamente se recusa a imprimir.

05

Drop Out!

O encerramento do lado pega uma ordem contracultural e retira dela qualquer celebração fácil. A repetição e a pressão instrumental cada vez mais escura fazem o afastamento soar ao mesmo tempo como recusa, exaustão e alerta.

06

Morning Song

O segundo lado abre com o recomeço mais delicado de Rapp. O movimento acústico e as entradas discretas do conjunto fazem da manhã um intervalo frágil depois de Drop Out!, não uma promessa de que os conflitos do álbum desapareceram.

07

Regions of May

A linguagem sazonal se expande em regiões imaginadas, não numa simples cena de primavera. As cores camerísticas mutáveis mantêm maio à distância, permitindo que memória, paisagem e tempo se sobreponham sem um mapa fixo.

08

Uncle John

Rapp comprime a oposição à Guerra do Vietnã no ataque político direto mais curto do álbum. A bateria e o golpe mais agudo do conjunto recusam a serenidade frequentemente associada ao folk psicodélico; o pronunciamento torna a violência imediata e exige responsabilização.

09

I Shall Not Care

O material creditado a Rapp e Sara Teasdale é arranjado como uma meditação em camadas sobre morte e indiferença. O desafio do título é complicado pelas vozes e pelos timbres incomuns, que fazem o não se importar soar desejado, posto em dúvida e impossível.

10

The Surrealist Waltz

Lederer assume o vocal na única canção escrita inteiramente sem Rapp. Sua colaboração com Crissinger usa o movimento da valsa como moldura instável para imagens associativas, encerrando o álbum dentro de outra voz e de outra lógica composicional.

Uma nação abaixo

Tempo, recusa, guerra, cuidado e deslocamento surrealista

O álbum não conta uma história contínua, mas sua nação subterrânea é composta por pessoas e mensagens que a linguagem pública comum não consegue conter. Another Time começa com sobrevivência e perspectiva alterada; Playmate oferece brevemente uma brincadeira social herdada. A Amber Lady é mantida à distância, enquanto Miss Morse transforma código privado em sátira pública.

Drop Out! questiona se a recusa é libertação, retirada ou ambas.

A manhã e maio criam ciclos naturais que não conseguem apagar o tempo político. A guerra de Uncle John torna explícita a crise externa antes que I Shall Not Care confronte o afastamento emocional com a mortalidade. A valsa final faz da associação surrealista uma alternativa derradeira à declaração direta. A seriedade de Rapp é, portanto, apenas um modo: cover, piada, protesto, adaptação e o vocal de Lederer complicam juntos a voz do álbum.

ESP 1054

O painel do inferno de Bosch como porta para uma nação subterrânea

A edição original da ESP-Disk traz o número de catálogo ESP 1054. A frente usa um detalhe do painel do inferno de O Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch. A capa original em tons marrons coloca punição antiga e corpos grotescos ao redor de uma música gravada na Nova York contemporânea.

Cinco faixas ocupam cada lado, com Drop Out! e The Surrealist Waltz como respectivos encerramentos.

As letras no verso tornam a linguagem codificada, política e literária de Rapp parte do álbum físico. A capa deve ser descrita como detalhe de uma obra histórica, não creditada como ilustração recém-encomendada a Bosch.

A estreia independente

Um disco de gravadora independente com longo alcance no underground

A ESP-Disk lançou One Nation Underground em outubro de 1967. Ele não entrou na principal parada americana de álbuns, mas o rádio underground e a distribuição independente lhe deram alcance além da ausência de um histórico de turnês do grupo. O álbum se tornou um dos lançamentos não jazzísticos mais visíveis da ESP sem adquirir a história convencional de singles de uma estreia por grande gravadora.

Morning Song e Drop Out! foram combinadas num single, mas o LP de dez faixas continuou sendo o formato definidor da obra.

Relatos posteriores mencionaram vendas substanciais, embora as estimativas variem e não devam ser tratadas como um total exato auditado. Sua reputação crítica cresceu com as reedições e com músicos posteriores ouvindo a mistura de canção intimista, protesto e arranjo acústico incomum de Rapp.

O primeiro disco

O documento fundador do Pearls Before Swine

One Nation Underground continua sendo o ponto de partida essencial porque documenta o Pearls Before Swine original de quatro integrantes, não apenas o círculo de estúdio posterior de Rapp. Another Time estabeleceu a quietude consciente da mortalidade que voltaria em toda a sua escrita. Miss Morse e The Surrealist Waltz impedem que o grupo seja reduzido a folk político solene. Uncle John dá ao compromisso antiguerra uma franqueza que Balaklava desenvolveria por meio de uma colagem histórica maior.

As escolhas de instrumentos antecipam o folk psicodélico posterior sem soar como um modelo padronizado para o gênero. A capa de Bosch criou um dos contrapontos visuais mais incisivos à promessa colorida frequentemente associada a 1967. A restauração de 2017 devolveu o equilíbrio mono aprovado pelos criadores depois de décadas de reedições comprometidas em estéreo simulado. O legado do álbum é a independência moral e sonora: um pequeno grupo numa gravadora independente podia tornar a delicadeza confrontadora.

Restauração mono

A mixagem mono original é o álbum

LP original da ESP-Disk de 1967ESP 1054: dez faixas em mono, cinco por lado, usando a mixagem original do grupo e de Alderson.
Reedições em estéreo processadoVárias edições posteriores acrescentaram processamento estéreo artificial e não preservaram corretamente os quatro canais de origem.
Restauração da Drag City de 2017Restaurada pelo engenheiro original Richard Alderson com a colaboração de Tom Rapp, preserva o álbum pretendido de dez faixas.

O álbum original contém dez faixas. Cinco faixas ocupam cada lado.

Drop Out! encerra o lado um.

The Surrealist Waltz é o final original. Lederer canta a faixa de encerramento. Smith é convidado, não integrante oficial do grupo.

O álbum original foi mixado em mono. Outtakes ampliados ficam depois do limite das dez faixas.

Um percurso de escuta

De Another Time à última valsa estranha

  1. Comece pela sobrevivência silenciosa de Another Time.
  2. Deixe a familiaridade de Playmate acentuar a distância da Amber Lady.
  3. Decodifique Miss Morse pelo tom antes da explicação.
  4. Tome Drop Out! como o encerramento completo do primeiro lado.
  5. Recomece com a luz frágil de Morning Song.
  6. Passe das regiões sazonais para a guerra direta e a indiferença contestada.
  7. Permita que a valsa de Lederer mude a voz do álbum no encerramento.

Trilha de pesquisa

Fontes e leituras adicionais

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Gêneros e cenas

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