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Guia de álbum clássico

Aguirre

Popol Vuh · 1975 · Krautrock / Ambiente / Música espiritual

Lançado primeiro na Itália em 1975 como música de Aguirre, a Cólera dos Deuses, de Werner Herzog, o álbum Aguirre, do Popol Vuh, contém cinco obras: apenas Aguirre I e Aguirre II derivam do filme, enquanto o restante do programa vem de outras gravações de 1972–74.

Lançado em 1975Álbum de cinco obrasTrilha sonora parcial
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O disco

Visão geral

Artista
Popol Vuh
Lançamento
1975
Filme
Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972)
Obras derivadas do filme
Aguirre I e Aguirre II
Programa original
Cinco obras
Estúdio
Bavaria Tonstudio, Munique

Por que importa

Um som cinematográfico lendário se torna um álbum deliberadamente híbrido

Aguirre contém um dos sons mais reconhecíveis do Popol Vuh: as vozes inquietantes em loops de fita do órgão coral sobre uma base eletrônica pulsante. Esse som é inseparável da procissão pela montanha de Herzog em Aguirre, a Cólera dos Deuses, mas o LP de 1975 não é uma trilha cinematográfica cronológica completa. Apenas Aguirre I e Aguirre II são identificadas com o filme; Morgengruß II e Agnus Dei são versões alternativas ligadas a material de Einsjäger & Siebenjäger. Vergegenwärtigung ocupa o segundo lado com uma longa obra centrada no Moog que a pesquisa cinematográfica de arquivo afirma explicitamente não ter relação com o filme.

O álbum une, portanto, a primeira fase eletrônica do Popol Vuh à linguagem acústica de guitarra, piano e voz que Fricke desenvolveu depois. Sua origem semelhante à de uma compilação não torna arbitrária a sequência: quatro obras variadas no primeiro lado levam a um lado inteiro de duração eletrônica suspensa. O contraste entre o som celestial do coro e a conquista condenada do filme criou um modelo duradouro para música que comenta imagens, em vez de apenas corresponder ao local. A importância factual depende de manter separados a trilha do filme, o álbum e os programas das reedições posteriores.

Herzog, 1972

Herzog e Fricke iniciam uma longa colaboração

Werner Herzog concluiu Aguirre, a Cólera dos Deuses em 1972, com Klaus Kinski no papel de Lope de Aguirre. O filme acompanha uma expedição de conquistadores pela América do Sul em busca de El Dorado e transforma ambição histórica em colapso físico e psicológico. Fricke recordou que Herzog o procurou durante a pós-produção; depois, ele assistiu ao filme e criou a música que iniciou a longa colaboração entre ambos. Herzog e Fricke descreveram o instrumento central como um órgão coral que usava vários loops paralelos de fita com vozes humanas controlados por um teclado.

O filme estreou na Alemanha em dezembro de 1972. O álbum só apareceu numa edição italiana documentada da PDU, em 1975; a documentação francesa da Cosmic Music/Ohr/Barclay vem em 1976. Seu programa de cinco faixas reúne gravações de 1972 a 1974, em vez de apresentar a ordem completa das deixas do filme. Colaborações posteriores entre Popol Vuh e Herzog incluíram Coração de Cristal, Nosferatu, Fitzcarraldo e Cobra Verde.

Fricke, Fichelscher, Yun

Um pequeno conjunto creditado e um extraordinário órgão coral

Florian FrickePiano, espineta, sintetizador Moog, órgão coral, composição e arranjo
Daniel FichelscherGuitarras elétrica e acústica e percussão
Djong YunVoz
Popol VuhProdução para a Ohr Musik
Bavaria TonstudioLocal documentado de gravação em Munique
Werner HerzogDiretor do filme e colaborador na concepção do órgão coral
Herbert PraschAssociado ao acesso ao órgão coral de loops de fita em relatos de arquivo
Cuidado com as ediçõesOs créditos originais da capa não atribuem todos os instrumentos a cada peça

Fricke conecta as épocas incompatíveis do álbum: os primeiros eletrônicos de Moog, a música de filme do órgão coral e o trabalho posterior de conjunto centrado no piano. A guitarra de Fichelscher dá a Morgengruß II, Aguirre II e Agnus Dei uma presença física de cordas dedilhadas, distinta da eletrônica de Vergegenwärtigung. A voz de Yun pertence ao material acústico-vocal do álbum e torna enganosa uma etiqueta Instrumental para o disco inteiro, apesar das longas passagens instrumentais. O órgão coral soa simultaneamente humano e artificial porque suas vozes são loops de fita pré-gravados tocados por um mecanismo de teclado.

O relato de Herzog enfatiza seleção e concepção colaborativas sem transformá-lo em integrante instrumentista creditado. Prasch é associado ao acesso de estúdio ao instrumento, mas versões concorrentes de sua construção tornam inseguro um crédito definitivo de inventor. As notas originais nomeiam apenas Fricke, Fichelscher e Yun como intérpretes, portanto atribuições detalhadas posteriores exigem cautela. Produção e local de estúdio são fatos documentados do álbum, embora as cinco peças venham de mais de um contexto de gravação.

Órgão coral e Moog

Vozes espectrais, oração acústica e eletrônica de um lado inteiro

Aguirre I cria um espaço aparentemente enorme com uma pulsação eletrônica lenta e vozes que não são nem coro ao vivo nem pad convencional de sintetizador. Morgengruß II substitui a monumentalidade espectral pelo movimento da guitarra acústica e por uma moldura menor, semelhante ao amanhecer. Aguirre II retoma a identidade do filme por meio do órgão coral, acrescentando gestos musicais mais reconhecivelmente dedilhados e respirados. Agnus Dei leva voz e canção devocional à sequência, conectando o LP ao trabalho acústico pós-Hosianna do Popol Vuh.

Vergegenwärtigung remove essa moldura de canção em escala humana e sustenta um lado inteiro de atmosfera centrada no Moog. O primeiro lado muda de método quatro vezes, enquanto o segundo pede ao ouvinte que habite um único estado eletrônico prolongado. Não é uma sequência contínua de deixas do filme; sua força vem da justaposição de práticas distintas do Popol Vuh. A história de masterização e reedições importa porque substituições podem alterar radicalmente o equilíbrio entre o primeiro lado compacto e o segundo eletrônico.

Guia de faixas

Cinco obras com três histórias de origem diferentes

01

Aguirre I (L'acrime di Rei)

A obra de abertura contém o som do órgão coral associado à procissão montanhosa de Herzog: vozes humanas em loop pairam sobre uma pulsação eletrônica contida. O subtítulo italiano costuma ser impresso com variantes ortográficas, outro motivo para não impor um título normalizado como única forma autêntica. No filme, a música faz a procissão parecer suspensa entre perigo terreno e julgamento remoto. No álbum, tem uma segunda função: estabelecer vasta escala sonora antes de três obras mais curtas e acústicas. A beleza não endossa a conquista de Aguirre; cria distância de sua ambição e permite que assombro e pavor coexistam.

02

Morgengruß II

Morning Greeting II não é uma das duas obras do álbum derivadas do filme Aguirre. É uma versão alternativa ligada a material de Einsjäger & Siebenjäger. A guitarra acústica introduz um toque humano claro depois da continuidade mecânica do órgão coral, e a percussão dá à peça suave movimento para a frente. O título de amanhecer pode sugerir renovação, mas a posição no álbum importa mais que uma cena paisagística inventada. A faixa demonstra que Aguirre foi montado como programa de audição a partir de vários contextos do Popol Vuh, não transferido intacto do rolo da trilha de Herzog.

03

Aguirre II

A segunda obra ligada ao filme retorna à identidade do órgão coral, mas não simplesmente repete Aguirre I. Guitarra acústica e outros detalhes instrumentais aproximam o som da linguagem de conjunto que Fricke desenvolvia depois dos primeiros discos eletrônicos. O título liga as peças, enquanto sua separação por Morgengruß II faz o primeiro lado funcionar como memória que retorna após interrupção. Em relação ao filme, a música acompanha o mundo condenado de Aguirre; no LP, liga a abertura espectral à voz devocional de Agnus Dei. Não é necessária uma lista sem fundamento de deixas cena a cena para explicar essa dupla função.

04

Agnus Dei

Agnus Dei encerra o lado um com linguagem litúrgica cristã e um cenário acústico-vocal. Como Morgengruß II, é uma versão alternativa ligada ao repertório de Einsjäger & Siebenjäger de 1974, não uma deixa retirada de Aguirre. A voz de Yun e a escala menor do conjunto levam o álbum do coro remoto dos temas do filme à oração humana direta. O título Cordeiro de Deus introduz súplica depois da música associada à conquista, mas esse contraste da sequência não deve ser confundido com a narrativa pretendida por Herzog para o filme. É a transição mais forte do montador do álbum de 1975 para o segundo lado eletrônico.

05

Vergegenwärtigung

Todo o segundo lado é uma longa obra centrada no Moog. A pesquisa cinematográfica de arquivo afirma que ela não se refere a Aguirre, tornando-a o aviso mais claro contra chamar o LP de trilha sonora completa. O título alemão sugere tornar presente, realização ou trazer algo à consciência. Tons eletrônicos sustentados, pulsações e acontecimentos espectrais mutáveis criam duração sem protagonista vocal. Seu som remonta à primeira fase eletrônica do Popol Vuh, embora as peças ao redor no primeiro lado atravessem práticas acústicas posteriores. Como final canônico, transforma um álbum híbrido num diálogo entre memória cinematográfica e presença eletrônica autônoma.

Imagem e contraponto

Conquista, transcendência e o fracasso do domínio

O filme trata de ambição imperial, isolamento, paisagem e colapso, mas apenas duas peças do álbum carregam diretamente essa identidade cinematográfica. O órgão coral faz vozes humanas soarem distantes e inumanas, um contraponto poderoso à insistência de Aguirre no domínio pessoal. Morgengruß introduz renovação e tempo comum depois da monumentalidade suspensa da abertura. Agnus Dei passa da conquista à súplica por meio de texto cristão.

Vergegenwärtigung abandona personagem e oração em favor de presença eletrônica extensa. Assim, o LP pode ser ouvido como progressão da imagem cinematográfica pela humanidade acústica até a abstração. Essa é uma leitura editorial da sequência dos lados, não prova de um enredo declarado em cinco partes. O verdadeiro conceito do álbum é parcialmente arquivístico: vários anos e métodos musicais coexistem sob um título associado ao filme.

Edições de Aguirre

Imagens do filme ocultam um programa complicado

O álbum foi comercializado como música de Aguirre, incentivando os ouvintes a tratar a capa como documento de trilha sonora. Imagens e título do filme fornecem identidade forte, embora a maioria do programa de cinco obras não seja ouvida nele. A edição italiana original da PDU e as posteriores francesas da Cosmic Music/Ohr/Barclay diferem em detalhes de selo e embalagem. O primeiro lado traz quatro obras; Vergegenwärtigung ocupa o segundo.

Essa divisão dos lados é o guia visual mais confiável para o argumento do álbum original. CDs posteriores às vezes acrescentam Aguirre III depois do final canônico. Uma reedição alemã de 1982 substituiu Vergegenwärtigung por três faixas posteriores do Popol Vuh, alterando fundamentalmente o segundo lado. Portanto, apenas o título da capa não basta para saber se uma cópia contém o programa original de cinco obras.

Álbum de 1975

Um álbum de 1975 montado depois de um filme de 1972

Uma edição italiana documentada da PDU apareceu em 1975, três anos após a estreia do filme de Herzog. Uma edição francesa da Cosmic Music/Ohr/Barclay é documentada em 1976. O Popol Vuh produziu o álbum para a Ohr Musik, e as notas nomeiam o Bavaria Tonstudio, em Munique. O intervalo entre filme e álbum ajuda a explicar por que o LP combina temas cinematográficos e outras gravações.

Apenas Aguirre I e Aguirre II são identificadas como obras derivadas do filme. Nenhum pico em parada nem total exato de vendas sem fundamento é apresentado. A reputação internacional do filme deu ao som central do órgão coral um público além dos ouvintes dos álbuns do Popol Vuh. Compilações de trilhas e edições ampliadas posteriores aumentaram o reconhecimento, mas tornaram mais difíceis de seguir os limites do programa.

Marco da música para cinema

O som que definiu o Popol Vuh no cinema

Aguirre I se tornou um dos exemplos definidores do trabalho do Popol Vuh com Werner Herzog. O caráter simultaneamente humano e artificial do órgão coral continua distinto porque resiste à fácil classificação como coro, Mellotron ou sintetizador. Sua influência na música ambiente e cinematográfica é frequentemente discutida, mas a pulsação específica da faixa original e sua função no filme importam mais que uma alegação ampla de invenção. O álbum preserva uma ponte incomum entre os períodos eletrônico e acústico de Fricke.

Fichelscher e Yun o conectam ao conjunto que moldou os discos de meados dos anos 1970 do Popol Vuh. Vergegenwärtigung mantém presente a primeira linguagem do Moog num lançamento associado à fama posterior das trilhas sonoras. Substituições em edições demonstram como um título célebre pode ocultar experiências de audição materialmente diferentes. Seu legado é melhor protegido distinguindo a música do filme de 1972, o LP de cinco obras de 1975 e as reedições posteriores ampliadas ou alteradas.

Cinco originais

Um catálogo famoso por substituições

LP canônico de cinco obrasQuatro peças no lado um; Vergegenwärtigung ocupa o lado dois.
Trilha sonora parcialApenas Aguirre I e Aguirre II derivam do filme de Herzog.
Aviso importante sobre reediçõesAlgumas edições acrescentam Aguirre III; uma edição de 1982 substitui Vergegenwärtigung por três faixas posteriores.

O álbum canônico contém cinco obras. Morgengruß II e Agnus Dei são versões alternativas ligadas a material de Einsjäger & Siebenjäger. Vergegenwärtigung não tem conexão documentada com o filme. Aguirre III é bônus posterior e não integra a sequência original.

O lado substituto de 1982 não é o programa canônico de 1975. Acréscimos de Spirit of Peace em algumas edições também ficam fora do LP original. A contribuição vocal de Djong Yun torna Instrumental uma etiqueta imprecisa para o álbum. Verifique o segundo lado antes de presumir que qualquer lançamento intitulado Aguirre preserva o disco original.

Um percurso de escuta

Separe a memória do filme da arquitetura do álbum

  1. Assista à procissão de abertura de Herzog e depois ouça Aguirre I sem imagens.
  2. Observe como Morgengruß II reduz a escala ao toque acústico.
  3. Compare os dois temas de Aguirre, em vez de tratar o segundo como reprise.
  4. Ouça Agnus Dei como música devocional autônoma, não como deixa cinematográfica inventada.
  5. Faça uma pausa na virada antes de Vergegenwärtigung.
  6. Dê ao segundo lado eletrônico toda a duração antes de qualquer faixa bônus.
  7. Depois, compare Einsjäger & Siebenjäger para identificar as relações de versões alternativas do álbum.

Trilha de pesquisa

Fontes e leituras adicionais

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Sons e instrumentos

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