O disco
Em resumo
- Artista
- Blue Cheer
- Lançado
- Março de 1969
- Álbum
- Terceiro álbum de estúdio
- Faixas originais
- Nove
- Selo
- Philips PHS 600-305
- Produtor
- Milan Melvin
Por que importa
Duas formações dividem um álbum na mudança de lado
New! Improved! é o primeiro álbum do Blue Cheer sem o guitarrista original Leigh Stephens.
Dickie Peterson e Paul Whaley permanecem como a constante da seção rítmica, mas o disco contém dois conjuntos identificáveis separadamente. O primeiro lado acrescenta o guitarrista Bruce Stephens — sem parentesco com Leigh — e o tecladista Ralph Burns Kellogg em seis canções concisas. O segundo lado retorna à escala de power trio com Randy Holden na guitarra e nos vocais em três composições próprias. O primeiro lado percorre boogie, blues rock, colorido country e uma adaptação de Bob Dylan, com dinâmica mais controlada que a dos dois primeiros álbuns.
Peace of Mind e Fruit & Icebergs restauram a duração extensa e a guitarra avassaladora, mas as linhas sustentadas de Holden diferem do ruído fraturado de Leigh Stephens. Milan Melvin substitui Abe Voco Kesh na produção, enquanto Hank Cicalo grava e mixa as sessões. O álbum importa porque a transição não é pano de fundo: a estrutura de seis e três faixas permite ouvir dois futuros incompatíveis impressos num único LP.
North Hollywood, 1969
Leigh Stephens sai; Holden e Bruce Stephens chegam em sequência
Outsideinside concluiu a trajetória de dois álbuns do trio original em agosto de 1968. Leigh Stephens saiu em seguida, deixando Peterson e Whaley reconstruírem o grupo de gravação. Randy Holden, anteriormente do Other Half, excursionou com o Blue Cheer e gravou as três peças posteriormente colocadas no segundo lado.
Holden saiu durante o processo do álbum após disputas envolvendo dinheiro e receitas de turnê. Bruce Stephens e Ralph Burns Kellogg se juntaram a Peterson e Whaley nas seis faixas do primeiro lado. Os dois conjuntos gravaram no Amigo Studios, em North Hollywood, com produção de Milan Melvin.
A Philips lançou New! Improved! Blue Cheer como PHS 600-305 em março de 1969.
Whaley e Holden deixaram a formação ativa por volta dessa transição, portanto o pessoal exato do terceiro álbum não seguiu intacto para o quarto LP, o homônimo.
Dois grupos de gravação
Peterson e Whaley entre dois mundos de guitarra
Peterson se adapta às duas metades: um cantor mais nuançado sobre teclados e guitarra mais enraizada, depois uma âncora de baixo pesado sob as formas longas de Holden. Whaley torna a bateria mais contida nos arranjos curtos do primeiro lado e reabre a escala quando o segundo retorna ao trio. Bruce Stephens privilegia fraseados econômicos de blues e country rock em vez de imitar o recém-saído Leigh Stephens. O piano e o órgão de Kellogg tornam a harmonia uma voz ativa de arranjo em todo o primeiro lado.
Holden canta e toca suas três canções, dando ao segundo lado uma identidade distinta de compositor-intérprete dentro do crédito do Blue Cheer. Estes acrescenta percussão, mas os créditos originais não justificam atribuí-lo a todas as faixas. A produção de Melvin separa os instrumentos com mais clareza que os discos do trio original produzidos por Kesh. Os dois guitarristas de sobrenome Stephens não são parentes e nunca formam uma configuração de duas guitarras neste álbum.
Identidade dividida
Primeiro, um quarteto mais enraizado; depois, o trio monumental de Holden
When It All Gets Old usa percussão e uma estrutura compacta de boogie para tornar o envelhecimento rítmico, não melancólico. West Coast Child of Sunshine situa a identidade regional dentro do colorido luminoso de guitarra e teclados. I Want My Baby Back parte da perda e usa o movimento de piano e órgão para transformar o apelo em impulso para a frente.
Aces 'N' Eights faz da imagem da mão do homem morto a base de um arranjo conciso de blues rock. As Long as I Live reduz o peso da banda em favor de resistência com inclinação country e abertura vocal. It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry traduz a canção de Dylan para o vocabulário rodoviário e fluente do quarteto.
Peace of Mind começa espaçosa e se expande repetidamente na massa sustentada da guitarra de Holden. Fruit & Icebergs contrapõe doçura orgânica e escala congelada num campo de psicodelia pesada mais lento e sombrio. Honey Butter Lover comprime o lado de Holden numa breve explosão final, não numa terceira viagem extensa.
Guia de faixas
Nove canções numa divisão de seis e três
When It All Gets Old
A composição de Kellogg começa com percussão e um groove enxuto, fazendo da idade um processo já em andamento. Piano, guitarra e a voz de Peterson dividem o espaço de modo mais equilibrado que nos álbuns do trio original, estabelecendo de imediato a arquitetura modificada do primeiro lado.
West Coast Child of Sunshine
Bruce Stephens escreve um retrato regional luminoso, não uma história de extremismo dos amplificadores. O arranjo compacto usa o colorido de guitarra e teclados para ligar a identidade californiana a mobilidade e calor.
I Want My Baby Back
A perda vira uma exigência urgente. Uma abertura conduzida pelo piano dá lugar a um movimento mais rápido do conjunto, permitindo que o vocal de Peterson passe da queixa à perseguição sem exigir uma jam extensa.
Aces 'N' Eights
Kellogg, Peterson e Bruce Stephens dividem o crédito de composição. A famosa imagem da combinação azarada de cartas traz acaso e morte para uma forma compacta de blues rock, com acentos rítmicos mantendo o destino em movimento.
As Long as I Live
Peterson e Bruce Stephens reduzem o volume para uma promessa de resistência tingida de country. O arranjo mais leve não é enchimento nem fraqueza; ele demonstra a distância entre a amplitude expressiva desse quarteto e Vincebus Eruptum.
It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry
A canção de viagem de Bob Dylan encerra o primeiro lado. O Blue Cheer enfatiza o ritmo fluente e o movimento cansado, usando a versão como síntese do vocabulário mais enraizado do quarteto em vez de forçá-la na antiga sobrecarga do power trio.
Peace of Mind
A formação muda na troca de lado. A voz e a guitarra sustentada de Holden passam de um espaço tranquilo de arpejos para longas ascensões pesadas, enquanto Peterson e Whaley recuperam a escala de power trio. A paz continua sendo buscada, não obtida com segurança.
Fruit & Icebergs
Holden associa alimento a massa congelada no campo mais sombrio do álbum. Peso lento, timbre prolongado de guitarra e o famoso efeito de bomba descendente perto do fim transformam o título surreal numa colisão de atração e ameaça.
Honey Butter Lover
A última canção de Holden se contrai a pouco mais de um minuto. Sua linguagem sensual brincalhona e a saída rápida impedem que o segundo lado vire dois monólitos longos, encerrando o álbum dividido com um tremor secundário compacto.
Mudança e retorno
Idade, retorno, sorte, resistência, viagem e paz instável
A mudança aparece primeiro como envelhecimento e depois como a troca literal de conjunto entre os lados. O sol da Costa Oeste e o trem de Dylan organizam o movimento no primeiro lado sem criar uma viagem contínua. I Want My Baby Back e As Long as I Live tratam o apego como recuperação e resistência. Ases e oitos introduzem sorte, mortalidade e uma mão cujo resultado já carrega significado cultural.
Peace of Mind transforma a calma numa busca difícil, não numa posse estável. Fruit & Icebergs une imagens apetitosas e ameaçadoras, tornando a contradição mais importante que uma história literal. Honey Butter Lover traz o desejo de volta em escala miniatura depois das duas faixas extensas de Holden. O tema mais profundo do título é a substituição: anuncia-se melhoria enquanto a música demonstra que nenhuma nova identidade única venceu ainda.
Philips 305
Novo e melhorado como promessa deliberadamente instável
A Philips lançou o álbum em estéreo como PHS 600-305.
O título New! Improved! toma emprestada a linguagem da publicidade de produtos e transforma a instabilidade da formação numa alegação promocional.
Seis faixas preenchem o primeiro lado e três, o segundo, tornando a divisão das formações visível no formato físico. Greg Irons criou a arte e Lloyd Johnson contribuiu com a fotografia. Os pontos de exclamação pertencem ao título formal do álbum e ampliam sua piada comercial. A embalagem nomeia um único Blue Cheer, embora o disco contenha um lado de quarteto e outro de um trio diferente.
Março de 1969
Março de 1969: número oitenta e quatro em meio à mudança de integrantes
New! Improved! Blue Cheer apareceu em março de 1969 como o terceiro álbum da banda.
Chegou ao número 84 da parada de álbuns da Billboard, pouco acima do pico de Outsideinside no número 90, mas muito abaixo da estreia. West Coast Child of Sunshine saiu como single com When It All Gets Old, mas não entrou na parada nacional. A divisão estilística dificultou resumir o álbum como continuação ou reinvenção completa.
Ouvintes da época e retrospectivos frequentemente se dividem quanto ao primeiro lado mais enraizado, enquanto tratam o lado de Holden como a atração mais pesada. Outras mudanças de formação impediram que qualquer um dos conjuntos exatos desenvolvesse as possibilidades do álbum numa continuação completa.
O terceiro álbum
O lado de Holden e o caminho que o Blue Cheer não seguiu
Peace of Mind e Fruit & Icebergs se tornaram as faixas de psicodelia pesada mais duradouras do álbum e reaparecem em coletâneas do Blue Cheer. O lado de três canções de Holden é seu único trabalho de estúdio lançado como integrante do Blue Cheer. Seu projeto posterior Population II desenvolveu o volume sustentado e o peso descendente ouvidos aqui sem Peterson e Whaley. O primeiro lado continua historicamente importante porque introduz os teclados de Kellogg e a guitarra mais enraizada de Bruce Stephens no catálogo.
Chamar o álbum inteiro de disco de Holden apaga seis faixas; chamá-lo de obra de um único quarteto estável apaga todo o segundo lado. A presença de Whaley faz deste o último álbum de estúdio do Blue Cheer com dois integrantes do trio de Vincebus Eruptum. O álbum mostra que a música pesada pode se fraturar por integrantes e autoria mesmo quando o nome da banda permanece inalterado. Seu legado reside na mudança de lado: poucos álbuns de transição tornam formações concorrentes tão nitidamente audíveis.
Programa original
Preserve o limite de integrantes entre seis e três faixas
O álbum original contém nove faixas. A adaptação de Dylan encerra o primeiro lado. Honey Butter Lover é o final original. Bruce Stephens e Kellogg tocam no primeiro lado.
Holden compõe, canta e toca guitarra no segundo lado. Peterson e Whaley são os intérpretes constantes nos dois lados. All Night Long e Fortunes são acréscimos bônus posteriores. Leigh Stephens não toca no álbum.
Um percurso de escuta
Trate a mudança de lado como mudança de formação
- Ouça o groove de abertura como declaração de um novo quarteto.
- Acompanhe o sol, o retorno e as cartas até a promessa mais leve.
- Deixe o trem de Dylan encerrar o primeiro lado de seis canções.
- Recomece antes de Holden entrar em Peace of Mind.
- Dê a Fruit & Icebergs sua descida lenta completa.
- Deixe o final em miniatura encerrar o LP original.
- Compare os dois lados antes de escolher um futuro preferido.
Trilha de pesquisa
Fontes e leituras adicionais
- Programa, integrantes e créditos de New! Improved! — AllMusic
- Programa digital oficial de nove faixas e data de março — Apple Music
- Créditos digitais oficiais e resenha do álbum — Qobuz
- Programa original PHS 600-305 — discografia Philips da Both Sides Now
- Randy Holden sobre suas sessões com o Blue Cheer — Perfect Sound Forever
- Entrevista com Randy Holden e o lado de três canções — CREEM
- Programa do relançamento da Universal no formato original — Universal Music / CDJapan
- Histórico do Blue Cheer na parada de álbuns — Billboard