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Fotograma 019Genesis: In Concert1977
Sala de exibição · Filme 019

Genesis: In Concert

Documento de concerto de uma formação em transição

DireçãoTony Maylam
Ano do filme1977
Duração45 minutos
PaísReino Unido
Seção do arquivoRock progressivo / Genesis / Filme-concerto

Quarenta e cinco minutos no ponto em que o Genesis poderia ter se tornado outra banda

Quando Peter Gabriel deixou o Genesis em 1975, o grupo enfrentou um problema maior que substituir um vocalista. Gabriel ficara tão associado à identidade teatral da banda que muitos ouvintes presumiram que sua saída removia o centro do espetáculo. Máscaras, figurinos, histórias e interpretação de personagens ajudaram a tornar o Genesis visualmente distinto, e a narrativa comum do rock sugeria que perder tal frontman deveria forçar o colapso ou uma reinvenção.

Genesis: In Concert registra a resposta durante a turnê de A Trick of the Tail, em 1976. Phil Collins, antes conhecido dentro do grupo sobretudo como baterista e backing vocal, agora assume o vocal principal. Tony Banks, Mike Rutherford e Steve Hackett permanecem em suas funções instrumentais estabelecidas. Bill Bruford, ex-baterista de Yes e King Crimson, integra a formação de turnê para que Collins possa deixar a bateria quando necessário e atuar como frontman.

Essa configuração existiu por apenas uma turnê. Só isso já torna valioso o filme de 45 minutos de Tony Maylam, mas sua importância vai além da raridade. Ele captura o Genesis descobrindo que uma mudança que todos esperavam enfraquecer a banda podia abrir outra identidade de palco sem abandonar a complexidade da música.

Phil Collins não imita Peter Gabriel

O perigo óbvio em 1976 era a imitação. O Genesis poderia tentar preservar a velha fórmula teatral pedindo a Collins que se comportasse como Gabriel e reproduzisse maneirismos vocais, narrativas e presença de palco já associados a músicas como «Supper’s Ready» e «The Carpet Crawlers».

Collins seguiu outro caminho. Sua voz já era conhecida de gravações anteriores do Genesis, mas como frontman desenvolveu uma relação mais conversacional e bem-humorada com o público. Relatos contemporâneos da turnê observam repetidamente que a abordagem funcionou. Ele podia cantar o repertório antigo sem fingir que a pessoa que o apresentava não havia mudado.

O filme torna visível essa transição de modo impossível aos álbuns de estúdio. A Trick of the Tail provou que o Genesis conseguia fazer um disco convincente depois de Gabriel; Genesis: In Concert mostra se a nova configuração conseguia ocupar um palco.

A resposta é complexa de maneira produtiva. O Genesis continua musicalmente intrincado e visualmente sério, mas a relação entre cantor e público se torna menos misteriosa. Collins parece mais diretamente acessível e, por ser fundamentalmente baterista, seu corpo se relaciona com o ritmo de maneira diferente da interpretação teatral de personagens de Gabriel.

A mudança não torna o espetáculo menos progressivo. Ela altera a origem da energia teatral.

Bill Bruford transforma o problema de formação numa oportunidade musical

Collins não podia cantar à frente do palco e simultaneamente executar todas as partes de bateria exigidas pelo repertório do Genesis. A banda precisava, portanto, de outro baterista para a turnê, e Collins escolheu Bill Bruford.

A decisão criou uma formação temporária extraordinária. Bruford deixara o Yes depois de Close to the Edge e tivera papel central na transformação do King Crimson em meados dos anos 1970. Sua linguagem rítmica era reconhecidamente diferente da de Collins, mas ambos se sentiam à vontade com compassos ímpares, formas extensas e música na qual a percussão tem função estrutural, não apenas marca o tempo.

O arranjo também permitiu que Collins voltasse à bateria nas passagens instrumentais. Esse é um dos maiores prazeres visuais do filme. O Genesis pode passar de uma configuração convencional com frontman a seções nas quais dois dos bateristas mais distintos do Rock progressivo britânico da época ocupam juntos o palco.

O Genesis Archive identifica os shows de Glasgow e Stafford, em julho de 1976, como fontes filmadas por Tony Maylam e lista Bruford ao lado de Banks, Collins, Hackett e Rutherford. A turnê terminou logo depois, e o período de Bruford com a banda permaneceu breve.

Isso transforma as imagens em evidência histórica excepcionalmente concentrada. A formação não durou o bastante para se tornar comum.

O filme preserva uma banda entre duas eras conhecidas

A história do Genesis costuma ser dividida de maneira excessivamente limpa entre as eras Gabriel e Collins. O filme de 1976 complica essa divisão porque quase tudo no palco pertence a ambas.

Steve Hackett ainda está presente, de modo que o grupo mantém a linguagem de guitarra associada a álbuns como Foxtrot, Selling England by the Pound e The Lamb Lies Down on Broadway. Tony Banks continua sendo o principal arquiteto harmônico. Mike Rutherford segue alternando funções de baixo e guitarra. Collins mudou de posição sem deixar de ser o baterista que ajudou a definir a banda anterior.

O repertório vem dos dois lados da saída de Gabriel. Material de A Trick of the Tail aparece ao lado de música mais antiga, permitindo ouvir continuidade em vez de ruptura limpa. «The Carpet Crawlers», seções ligadas a The Lamb Lies Down on Broadway, «The Cinema Show» e parte de «Supper’s Ready» convivem com peças novas como «Entangled» e a força instrumental de «Los Endos».

O repertório demonstra algo que discografias de estúdio podem ocultar. Músicos não entram numa nova era apagando a anterior. O palco do Genesis em 1976 é uma discussão sobre como composições antigas sobrevivem a um novo cantor e como as novas podem coexistir com material ligado ao frontman que saiu. A curta duração do filme comprime essa transição num retrato histórico particularmente claro.

O Genesis mantinha teatralidade mesmo quando os figurinos deixaram de carregar a história

A atuação visual de Peter Gabriel nunca foi o único elemento teatral do Genesis. Iluminação, ritmo do espetáculo e composições extensas já criavam forte arquitetura cênica. Depois da saída de Gabriel, esses elementos ficaram mais fáceis de perceber porque os figurinos deixaram de dominar as descrições do show.

Genesis: In Concert demonstra quanto drama vive dentro dos próprios arranjos. Peças longas mudam gradualmente de intensidade, harmonias de teclado criam tensão antes de uma linha de guitarra resolvê-la e passagens instrumentais podem funcionar quase como cenas. Os efeitos visuais e a montagem às vezes ampliam essa atmosfera, mas a estrutura fundamental é musical.

Isso se torna especialmente importante em «Supper’s Ready». A peça estivera tão associada à performance de Gabriel que continuar a tocá-la poderia parecer tentativa de habitar o teatro de outra pessoa. Collins trata o vocal como parte da composição, enquanto a identidade instrumental da banda carrega grande parte do peso dramático.

O resultado corrige a suposição comum de que o Genesis passou do teatro à apresentação direta de rock no instante em que Gabriel saiu. A transformação foi gradual. Em 1976, a banda ainda operava dentro das estruturas progressivas extensas da era anterior, mesmo quando a personalidade de palco mudava ao redor delas.

A duração de 45 minutos é ao mesmo tempo força e frustração

A turnê de A Trick of the Tail tinha repertório muito maior que o longa concluído. Os dados do Genesis Archive listam um set com «Dance on a Volcano», um medley de The Lamb, «The Cinema Show», «Robbery, Assault and Battery», «White Mountain», «Firth of Fifth», «Entangled», «Squonk», «Supper’s Ready», «I Know What I Like» e «Los Endos», entre outras peças.

O filme condensa esse mundo em aproximadamente 45 minutos. Por isso, não pode funcionar como documento completo do concerto. Várias músicas importantes estão ausentes ou aparecem apenas em seções, e a montagem necessariamente privilegia um retrato particular da turnê.

A brevidade tem uma vantagem. O filme avança depressa o bastante para revelar o caráter da formação sem exigir que o espectador se comprometa com uma reconstrução integral de várias horas. Funciona como registro visual concentrado da transição.

Para uma história séria do Genesis, porém, o material ausente continua importante. Gravações de áudio e lançamentos de arquivo posteriores ajudam a preencher as lacunas. A abordagem correta não é tratar Genesis: In Concert como “o show de 1976”, mas como um filme montado a partir das apresentações de Glasgow e Stafford, preservando essa distinção nas relações de setlist e banco de dados.

Glasgow e Stafford pertencem ao fim da turnê, não ao começo do experimento

Os shows filmados ocorreram no fim da turnê de A Trick of the Tail, em julho de 1976. O Genesis já levara a configuração com Collins como frontman pela América do Norte e Europa, dando à banda tempo para aprender como o novo arranjo de palco se comportava em condições reais.

O momento importa porque o filme não mostra a primeira tentativa nervosa de substituir Gabriel. Mostra um sistema que sobreviveu à turnê e alcançou confiança suficiente para receber as câmeras.

O Genesis Archive identifica o Glasgow Apollo, em 9 de julho, e o New Bingley Hall de Stafford, em 10 de julho, como datas filmadas para o longa. Stafford também foi o último show do período de Bruford em turnê com o Genesis.

Isso torna o filme retrospectivo num sentido muito imediato. As câmeras documentam uma formação quase no último instante possível antes de ela mudar outra vez. Chester Thompson se tornaria depois o principal baterista de turnê, Steve Hackett sairia após o ciclo seguinte de estúdio e estrada, e o Genesis continuaria evoluindo para outro equilíbrio entre estrutura progressiva e composição concisa. No momento capturado em 1976, nenhuma dessas identidades posteriores havia chegado por completo.

A história posterior em vídeo doméstico é menos satisfatória do que o filme merece

Genesis: In Concert nunca teve a história simples de restauração de alguns filmes-concerto mais famosos. Foi lançado em formatos de vídeo posteriores e acabou incluído em pacotes de arquivo do Genesis, mas fãs e colecionadores há muito apontam limitações na fonte usada em certas edições digitais.

Essa história lembra que o status canônico de um filme numa comunidade de fãs não garante preservação ideal. Um longa de concerto de 45 minutos pode sobreviver com circulação suficiente para continuar conhecido e ainda assim não receber a restauração a partir da melhor fonte que o público moderno espera cada vez mais.

Para a RetroForge, a recomendação prática é simples. A página deve identificar a edição vinculada e evitar afirmar que todo DVD ou fonte digital representa nova transferência dos elementos originais, a menos que isso tenha sido verificado.

O filme continua indispensável porque nenhum problema de restauração pode substituir o que ele contém: Genesis com Steve Hackett ainda no grupo, Phil Collins recém-estabelecido como vocalista principal e Bill Bruford ocupando a bateria de turnê pela única vez na história da banda. A combinação existiu por tão pouco tempo que as imagens sobreviventes de Tony Maylam são excepcionalmente importantes.

Nota para assistir e colecionar

Use o longa de 1977 com aproximadamente 45 minutos como entidade cinematográfica canônica e registre separadamente os shows de origem em Glasgow e Stafford, em julho de 1976. Qualquer edição posterior em DVD ou digital deve trazer suas próprias informações de transferência, sem ser descrita automaticamente como nova restauração.

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