O disco
Visão geral
- Artista
- The Byrds
- Lançamento
- 18 de julho de 1966
- Álbum
- Terceiro álbum de estúdio
- Faixas originais
- Onze
- Gravadora
- Columbia
- Produção
- Allen Stanton
Por que importa
Os Byrds substituem a perda de um compositor por um vocabulário de estúdio mais amplo
Fifth Dimension registra os Byrds se reconstruindo depois da saída de Gene Clark, seu compositor inicial mais prolífico. McGuinn e Crosby ampliam sua escrita, enquanto o grupo usa canções tradicionais e experimentação de estúdio para preencher um álbum deliberadamente instável.
Eight Miles High funde o imaginário de viagem de Clark com ideias de guitarra e baixo moldadas por John Coltrane e Ravi Shankar. Sua importância reside no método audível, não em qualquer afirmação absoluta de que um disco inventou a psicodelia.
O álbum transita entre pop metafísico, ficção científica, lamento político, balada folk, instrumental de R&B e colagem sonora eletrônica. A variedade é o assunto: os Byrds testam o que pode vir depois de seus dois primeiros álbuns.
Allen Stanton substitui Terry Melcher como produtor. Cordas em Wild Mountain Thyme e John Riley, uma linguagem de guitarra alterada e o final construído mostram uma paleta de estúdio mais ampla que o folk rock comprimido da estreia.
O disco também preserva uma transição precisa de integrantes. Clark coescreve e canta em Eight Miles High, gravada antes de sua saída; o restante do álbum pertence principalmente ao grupo de quatro integrantes McGuinn–Crosby–Hillman–Clarke.
Hollywood, 1966
Gene Clark sai depois de coescrever o single de revelação
Os Byrds gravaram Eight Miles High e Why pela primeira vez na RCA em dezembro de 1965, com produção do empresário Jim Dickson, mas a Columbia exigiu novas gravações feitas em seus próprios estúdios. A versão lançada de Eight Miles High pela Columbia foi gravada em janeiro de 1966 e saiu como single em março, com Why no lado B.
Gene Clark saiu pouco depois. Seu medo de voar contribuiu para as dificuldades de turnê, mas um relato responsável do álbum evita reduzir uma saída complexa a um único incidente.
McGuinn, Crosby, Hillman e Michael Clarke continuaram o álbum com produção de Allen Stanton na Columbia, em Hollywood.
O álbum original não inclui Why. Suas onze faixas terminam com 2-4-2 Fox Trot; CDs posteriores acrescentam o lado B do single, sobras e as versões anteriores da RCA.
A Columbia lançou Fifth Dimension em 18 de julho de 1966. O single-título 5D e Mr. Spaceman vieram depois de Eight Miles High durante a campanha do álbum.
O quarteto pós-Clark
Um álbum de quatro integrantes, com Clark numa faixa decisiva
McGuinn passa de figura central do folk rock a experimentador sonoro. Sua guitarra em Eight Miles High usa agrupamentos e movimento rápido, em vez dos ganchos semelhantes a sinos da estreia.
Crosby se torna compositor principal e vocalista. What's Happening?!?! transforma incerteza em estrutura, enquanto sua função em I See You leva as guitarras rumo à abstração.
O baixo de Hillman é uma voz composicional em Eight Miles High, sustentando a guitarra improvisatória sobre um padrão repetitivo influenciado por Coltrane.
Clarke lida com contrastes abruptos, da pulsação de balada ao instrumental de R&B e ao final mecânico. Captain Soul dá ao quarteto um crédito coletivo de composição.
A presença de Clark é específica de uma faixa, mas central. Sua base melódica e lírica em Eight Miles High conecta os cinco originais ao novo álbum.
O órgão de Parks e os instrumentistas de cordas ampliam arranjos selecionados sem se tornar formação ampliada permanente.
Raga rock e experimentação
Coltrane, raga, cordas, R&B e ruído de jato
A sonoridade do álbum é intencionalmente plural. A guitarra de doze cordas continua presente, mas órgão, harmônica, cordas, guitarra de fluxo livre e efeitos de aeronave mudam repetidamente a moldura.
Eight Miles High usa uma base circular de baixo e frases de guitarra inspiradas em jazz e música indiana. As harmonias vocais preservam a identidade dos Byrds enquanto o campo instrumental vai muito além do jangle.
Wild Mountain Thyme e John Riley colocam melodias tradicionais dentro de arranjos de cordas. As cordas cumprem funções dramáticas diferentes: paisagem e devoção, não um revestimento orquestral genérico.
Mr. Spaceman e 2-4-2 Fox Trot usam tecnologia de modo lúdico, mas diferente. Uma é canção compacta de ficção científica com matiz country; a outra constrói um ambiente com som de jato e montagem de estúdio.
Captain Soul converte um impulso de R&B da época de concertos num instrumental, permitindo que baixo, bateria, harmônica e guitarra carreguem personalidade sem a famosa mistura vocal. A sequência alterna acessibilidade e perturbação, por isso os experimentos nunca viram uma superfície psicodélica uniforme.
Guia de faixas
Onze rotas para além do folk rock
5D (Fifth Dimension)
McGuinn abre com ascensão metafísica emoldurada como canção pop compacta. O órgão de Parks e o ritmo comedido fazem ideias abstratas parecerem ordenadas, enquanto o refrão transforma especulação dimensional em libertação, não explicação técnica.
Wild Mountain Thyme
A canção tradicional escocesa recebe violão, vozes cerradas e cordas. Seu convite sazonal cria espaço pastoral depois da escala cósmica da abertura, mostrando que expansão também pode significar retornar a uma melodia antiga.
Mr. Spaceman
Ritmo country e guitarra luminosa sustentam a esperança bem-humorada de McGuinn por contato extraterrestre. Observações domésticas comuns revelam gradualmente a premissa de ficção científica, fazendo a estranheza chegar por narrativa concisa.
I See You
McGuinn e Crosby fragmentam a percepção em trechos vocais repetidos e trocas angulosas de guitarra. As linhas instrumentais recusam o repique suave de 1965, fazendo a visão parecer impacto e reconhecimento instável.
What's Happening?!?!
O primeiro crédito solo de composição de Crosby nos Byrds transforma incerteza numa interpretação circular. Perguntas vocais, textura mutável de guitarra e ausência de resposta clara fazem da dúvida a própria forma, não um problema resolvido pelo refrão.
I Come and Stand at Every Door
O poema de Nâzım Hikmet, adaptado por uma melodia folk existente, dá voz a uma criança morta em Hiroshima. O canto contido e o arranjo processional mantêm direto o luto político, encerrando o primeiro lado sem fuga psicodélica.
Eight Miles High
Clark, McGuinn e Crosby transformam impressões de um voo e de Londres no salto musical central do álbum. O baixo repetitivo de Hillman e a guitarra de McGuinn informada por Coltrane e raga criam altitude pelo movimento, enquanto as harmonias preservam um centro humano.
Hey Joe (Where You Gonna Go)
Crosby conduz a canção folk-rock circulante de Billy Roberts com vocal mais áspero e ritmo urgente. A interpretação pertence à história de gravações anterior a Hendrix e não deve ser julgada como imitação da famosa versão posterior.
Captain Soul
O crédito instrumental coletivo do quarteto cresce de uma levada de R&B. Harmônica e guitarra trocam gestos sobre a base de Hillman e Clarke, dando ao segundo lado uma liberação corporal depois de duas faixas liricamente intensas.
John Riley
Uma balada tradicional sobre fidelidade vira miniatura orquestral de folk rock. Cordas e vozes adiam a identidade do amante que retorna, permitindo que o reconhecimento narrativo forneça o clímax.
2-4-2 Fox Trot (The Lear Jet Song)
McGuinn encerra com som de aeronave, fragmentos falados e cantados e repetição mecânica. A designação Lear Jet fornece o título; o estúdio transforma viagem moderna em ambiente, terminando longe da resolução convencional de canção.
Onze perspectivas
Voo, morte, incerteza e perspectiva alterada
Fifth Dimension não tem história contínua, mas voo e perspectiva alterada conectam suas imagens cósmicas, geográficas e mecânicas. O álbum sobe à metafísica, atravessa montanhas, dirige-se a espaçonaves, sobrevoa cidades e finalmente entra no som de um jato.
Nem toda jornada liberta. Eight Miles High encontra alienação na chegada, enquanto I Come and Stand at Every Door torna o poder tecnológico inseparável da morte em massa.
A percepção é instável em I See You e What's Happening?!?!. Suas perguntas substituem a certeza romântica comum no primeiro álbum.
Baladas tradicionais fornecem âncoras éticas e melódicas, impedindo que a experimentação afirme que o passado foi descartado.
Columbia CL 2549 / CS 9349
Um retrato em mosaico de uma banda em transição
A capa frontal divide fotografias dos quatro Byrds restantes em painéis coloridos semelhantes a mosaicos, tornando visível a fragmentação. Gene Clark está ausente do retrato principal do grupo, embora Eight Miles High preserve sua contribuição de composição e vocal. A geometria luminosa combina melhor com um álbum de métodos separados que uma única ilustração pastoral ou de ficção científica. As edições originais mono e estéreo da Columbia compartilham o desenho básico, identificadas por CL 2549 e CS 9349.
18 de julho de 1966
Columbia, julho de 1966
A Columbia lançou Fifth Dimension em 18 de julho de 1966 como o terceiro álbum de estúdio dos Byrds.
O LP original contém onze faixas. Why, apesar de ser o lado B de Eight Miles High, não foi incluída.
Eight Miles High chegou às vinte primeiras posições nos Estados Unidos e às trinta primeiras no Reino Unido, apesar da controvérsia radiofônica em torno de interpretações de seu título. O álbum ficou abaixo dos dois primeiros LPs dos Byrds nas paradas, refletindo uma transição comercial e criativa. A recepção posterior se concentrou em Eight Miles High, mas o disco completo documenta várias respostas à ausência de Clark e à mudança da linguagem pop.
O terceiro álbum dos Byrds
A abertura experimental para os próximos Byrds
Eight Miles High tornou-se exemplo fundamental de raga rock e guitarra psicodélica, enquanto sua influência de jazz complica qualquer rótulo único de gênero. O álbum mostra McGuinn e Crosby se desenvolvendo como compositores antes da grande ascensão de Hillman em Younger Than Yesterday. I Come and Stand at Every Door preserva um centro político grave que impede que o imaginário espacial do disco seja lido como novidade.
O final construído em estúdio antecipa a produção cada vez mais elaborada dos Byrds em Younger Than Yesterday e The Notorious Byrd Brothers. Sua irregularidade é historicamente produtiva: a banda testa vários futuros, em vez de apresentar um substituto aperfeiçoado para Gene Clark.
Álbum e arquivo
Álbum original versus single e arquivo da RCA
Pare depois de 2-4-2 Fox Trot ao avaliar o álbum original. Trate Why como lado B contemporâneo do single, não como faixa doze do LP de 1966. Compare a Eight Miles High lançada pela Columbia com a versão anterior da RCA como interpretações separadas.
Não estenda a presença de Clark em Eight Miles High às sessões pós-saída do álbum. Uma boa transferência preserva o peso do baixo de Hillman e a diferença entre detalhe de cordas, guitarra distorcida e efeitos de aeronave.
Um percurso de escuta
Acompanhe a escala em expansão
- Ouça as três faixas iniciais como formas metafísica, tradicional e cômica de ascensão.
- Siga I See You até What's Happening?!?! como duas formas de instabilidade.
- Dê a I Come and Stand at Every Door todo o peso de encerramento do lado.
- Compare o campo improvisatório de Eight Miles High com a levada de R&B de Captain Soul.
- Termine com 2-4-2 Fox Trot antes de explorar Why e as alternativas da RCA.
Trilha de pesquisa
Fontes e leituras adicionais
- Lançamento ampliado de Fifth Dimension — Banco de dados institucional MusicBrainz
- Faixas e créditos de Fifth Dimension — AllMusic
- Registro do lançamento original de Fifth Dimension — Banco de dados institucional MusicBrainz
- História oral de Eight Miles High — The Guardian
- Registro de Eight Miles High nas paradas — Official Charts Company
- História da produção de Allen Stanton — AllMusic