O disco
Visão geral
- Artista
- Soft Machine
- Lançamento
- Fevereiro de 1973
- Formato
- LP ao vivo mais LP de estúdio
- Formação
- Jenkins, Ratledge, Hopper e Marshall
- Peças indexadas
- Quinze
- Produtor
- Soft Machine
Por que importa
Um novo quarteto se prova duas vezes
Six é o primeiro álbum do Soft Machine construído ao redor de Karl Jenkins e John Marshall juntos. Ambos vieram do Nucleus, mas não simplesmente importam o som de outra banda. Jenkins acrescenta oboé, saxofones e piano elétrico ao campo de teclados de Mike Ratledge; Marshall dá a Hugh Hopper um parceiro rítmico com ataque firme o bastante para sustentar riffs, mas flexível para transições abertas.
O desenho de álbum duplo recusa tratar performance e composição como intercambiáveis. O primeiro disco usa concertos em Guildford e Brighton, editados em onze seleções conectadas. O segundo contém quatro obras de estúdio gravadas em Londres. Uma metade mostra como o quarteto organiza o tempo diante do público; a outra expõe o que constrói quando repetição, overdub e o próprio som podem ser reconsiderados.
A comparação torna Six mais que lançamento de transição. O disco ao vivo demonstra fluência coletiva imediata poucos meses depois da entrada de Jenkins. O de estúdio preserva futuros concorrentes: os loops em camadas de Jenkins, a escrita lírica de Ratledge e a abstração eletrônica solitária de Hopper pertencem à mesma banda, mas não apontam exatamente na mesma direção.
1972
A experiência do Nucleus entra depois de Dean
Robert Wyatt havia saído em 1971, Phil Howard apareceu no primeiro lado de Fifth e Marshall concluiu aquele álbum. Elton Dean então saiu em 1972. Jenkins o substituiu nos sopros e teclados, criando quarteto com dois integrantes do núcleo estabelecido do Soft Machine e dois músicos moldados pelo Nucleus.
O material ao vivo foi gravado em 20 de outubro no Guildford Civic Hall e 1º de novembro no Dome, em Brighton. O disco de estúdio veio entre 18 de novembro e 5 de dezembro, principalmente no CBS Studios, com uma faixa feita no Advision. Roger Beale e Gary Martin cuidaram das respectivas engenharias de estúdio.
Six chegou em fevereiro de 1973. Tornou-se o último álbum de estúdio completo de Hopper como integrante do Soft Machine; ele saiu depois do lançamento, e Roy Babbington assumiu o baixo em Seven.
O quarteto de Six
Teclados e sopros duplos sobre seção rítmica reconstruída
Jenkins muda melodia e harmonia. Seu oboé pode tornar um riff incomumente pontudo, seus saxofones prolongam a linguagem de sopros depois de Dean, e seu piano elétrico cria segunda superfície de teclado ao lado de Ratledge. A densidade resultante é organizada por registro, não por hierarquia simples entre solista e acompanhante.
Ratledge continua sendo o vínculo mais forte com o catálogo anterior. All White retorna de Fifth, enquanto Gesolreut e as duas peças longas de estúdio preservam seu interesse por temas assimétricos e intensidade de órgão fuzz. Jenkins não o substitui; por algum tempo, os dois criam sobreposição produtiva.
Hopper e Marshall são excepcionalmente complementares. O baixo fuzz de Hopper fornece arquitetura repetida, enquanto Marshall a torna exata sem enrijecê-la. No lado de estúdio, porém, 1983, de Hopper, se afasta do quarteto e transforma fita e efeito eletrônico numa paisagem privada.
Sonoridade e construção
Lógica contínua de concerto contra construção de estúdio
O álbum ao vivo se comporta como uma suíte montada a partir de módulos nomeados. Fanfarras e ligações breves de Jenkins conduzem a peças maiores de Ratledge; finais viram entradas, e o contexto do público importa menos que o movimento ininterrupto.
A bateria de Marshall torna legível a forma ligada. Pode marcar nova seção sem parar, contrair sob figura de oboé ou deixar um solo flutuar sobre pulsação estável. O baixo de Hopper frequentemente anuncia a próxima arquitetura antes da chegada das vozes superiores.
O LP de estúdio começa de outro modo. The Soft Weed Factor constrói desenho extenso por repetição e camadas, usando controle de estúdio para criar padrões que nenhuma passagem única de concerto precisa reproduzir exatamente.
Stanley Stamps Gibbon Album e Chloe and the Pirates recuperam a amplitude melódica de Ratledge. Os sopros de Jenkins atravessam a harmonia dos teclados com papel principal mais claro que na metade ao vivo, sobretudo quando o oboé transforma linhas longas em algo vocal sem palavras.
1983 encerra reduzindo a banda ao baixo e aos efeitos de Hopper. Sua abstração não resume o quarteto; é uma fissura dentro dele. O álbum termina com um integrante imaginando espaço fora do conjunto que dominou os três lados anteriores.
Guia de faixas
Onze células ao vivo e quatro composições de estúdio
Fanfare
Jenkins abre o disco ao vivo com sinal cerimonial compacto. A peça estabelece cor dos sopros e precisão coletiva antes do primeiro tema substancial.
Sua brevidade é funcional: Six começa mostrando que uma ligação pode ter identidade composicional.
All White
O tema de Ratledge vindo de Fifth retorna em forma mais comprimida e moldada pela performance. A presença de Jenkins muda o registro agudo, enquanto Marshall agora domina a moldura rítmica desde o primeiro tempo.
A peça antiga funciona como ponte entre formações, não reprodução de museu.
Between
O título declara sua função: Jenkins e Ratledge criam material que vive entre destinos maiores. Oboé, teclado e seção rítmica mantêm ativa a transição.
Demonstra que o repertório ao vivo é composto através das fronteiras, não apenas editado depois dos aplausos.
Riff
Jenkins reduz a identidade a figura repetida cuja força vem da concordância do conjunto. Cada instrumento reforça ou colore a célula sem esgotá-la.
Hopper e Marshall tornam física a repetição, permitindo que sopros e teclados mudem a ênfase acima deles.
37½
Ratledge transforma título numérico em movimento angular. Linhas escritas e ataque de teclado com fuzz dão à peça contorno mais agudo que as ligações de Jenkins ao redor.
A interpretação amplia a figura por espaço de solo sem perder seu peculiar caráter métrico.
Gesolreut
O título codifica sílabas musicais, apropriado a composição preocupada com altura e sequência ordenadas. O tema de Ratledge cria plataforma para as vozes entrelaçadas do quarteto.
Jenkins e Ratledge dividem o campo melódico enquanto a seção rítmica mantém a superfície complexa avançando.
E.P.V.
Jenkins fornece outra composição conectiva curta, mais leve em massa que as peças ao redor. Seu papel é redirecionar energia, não oferecer clímax separado.
O álbum ao vivo depende dessas mudanças de escala para impedir que a execução contínua se torne uniforme.
Lefty
Creditada coletivamente, Lefty faz da decisão do conjunto a composição. Riff, textura e improvisação surgem do timing compartilhado dos quatro músicos.
Sua identidade de grupo contrasta com os módulos de autoria clara e revela quão depressa a nova formação conseguia operar sem líder único.
Stumble
Jenkins torna o desequilíbrio compacto e rítmico. O título sugere tropeço, mas o quarteto transforma deslocamento em impulso deliberado.
Funciona como trampolim para o destaque de Marshall, não miniatura isolada por si.
5 From 13 (For Phil Seamen with Love & Thanks)
A composição e dedicatória de Marshall colocam a história da bateria no centro do repertório. A moldura numérica vira veículo para pulsação, subdivisão e homenagem pessoal.
A peça confirma que o novo baterista contribui material, não apenas uma batida substituta.
Riff II
O primeiro disco fecha retornando ao princípio de riff de Jenkins em forma abreviada. O reconhecimento dá final estrutural à apresentação conectada.
Em vez de grande resolução, o quarteto sai pela mesma economia que ajudou sua entrada.
The Soft Weed Factor
Jenkins começa o álbum de estúdio com seu experimento mais extenso em repetição. Camadas se acumulam até pequenas mudanças de timbre e registro virarem o drama principal.
A construção controlada contrasta com as decisões coletivas em tempo real do disco ao vivo, estabelecendo a metade de estúdio como proposta separada.
Stanley Stamps Gibbon Album (for B.O.)
Ratledge une título memorável a composição compacta cuja linha melódica continua mudando de perspectiva. Teclados elétricos podem ser secos, vigorosos ou subitamente espaçosos.
A banda soa composta sem perder elasticidade, oferecendo o equilíbrio mais claro do lado de estúdio entre estrutura e voz solista.
Chloe and the Pirates
A contribuição de estúdio mais longa de Ratledge se desenvolve com amplitude lírica incomum. O oboé de Jenkins fornece linha cantante que dá caráter à peça sem fixar aventura literal.
Harmonia de teclados, melodia dos sopros e base Hopper–Marshall criam a afirmação de conjunto mais generosa do álbum.
1983
Hopper encerra sozinho com baixo e efeitos eletrônicos, substituindo conversa do conjunto por loops, textura e distância. O ano futuro vira ambiente imaginado, não previsão narrativa.
O isolamento é decisivo. Depois de três lados provando o quarteto, Six termina revelando que um fundador já escuta além dele.
Um díptico documental
Dois métodos, não uma narrativa
Six não é álbum conceitual narrativo. Sua ideia coerente é comparação: ao vivo contra estúdio, fluxo coletivo contra textura montada, ligações funcionais curtas contra composições autônomas extensas.
Números e títulos codificados retornam, mas não formam quebra-cabeça de solução única. Refletem música que trata medida, repetição e proporção como material expressivo.
O contraste final é social. O disco ao vivo documenta novo quarteto aprendendo a pensar como um; 1983 remove o corpo social. Ambos pertencem porque o álbum permite várias definições de Soft Machine ao mesmo tempo.
O álbum duplo
O número seis se divide em dois discos
A capa contida continua a identidade numerada de Fourth e Fifth. O título anuncia posição no catálogo, enquanto o formato duplo fornece a verdadeira informação conceitual.
A sequência original torna física a divisão ao vivo/estúdio: o ouvinte troca de disco antes de entrar no programa controlado de estúdio. Uma edição em CD único deve preservar essa fronteira na apresentação.
Quinze índices podem fazer a metade ao vivo parecer fragmentada numa tela. A instrução mais profunda do pacote é oposta: onze nomes descrevem uma única construção contínua de concerto.
Fevereiro de 1973
Um álbum duplo apresenta uma fase duradoura
Six foi lançado em fevereiro de 1973 pela CBS como álbum duplo. Onze seleções ao vivo ocupam o primeiro disco e quatro composições de estúdio, o segundo.
O formato apresentou a formação Jenkins–Marshall por evidência, não explicação. Ouvintes podiam ouvir sua fluência de palco e ambições de estúdio no mesmo pacote.
A escala do álbum não dependia de vocais, convidados orquestrais nem título ocupando um lado. Sua ambição está em contrapor métodos de trabalho e permitir que a identidade do quarteto surja por ambos.
Antes de Seven
O último capítulo completo de estúdio de Hopper
Six estabeleceu Marshall como centro rítmico duradouro e Jenkins como compositor e instrumentista cada vez mais importante. Sua influência cresceria depois da saída de Hopper.
Para Hopper, o álbum é despedida complexa: seu baixo conduz o quarteto ao vivo, sustenta as peças de estúdio e finalmente deixa o grupo para trás em 1983. Ele saiu antes de Seven.
O disco continua sendo um dos documentos mais claros do Soft Machine como processo, não formação fixa. Uma banda pode mudar integrantes, repertório e método de produção mantendo modo reconhecível de organizar som.
Qual edição?
Mantenha identificáveis as metades ao vivo e de estúdio
Não embaralhe as onze faixas ao vivo. Fanfare, Between, E.P.V., Stumble e Riff II são arquitetura conectiva tanto quanto faixas separadas.
Pause antes de The Soft Weed Factor. O álbum de estúdio inicia novo experimento de escuta, mesmo quando edição digital o coloca segundos depois do concerto.
Compare 1983 ao baixo de Hopper por todo o LP ao vivo. O mesmo músico que cria estabilidade coletiva termina desmontando o espaço do conjunto.
Um percurso de escuta
Compare o mesmo quarteto sob dois tipos de pressão
- Primeira audição: Ouça o disco ao vivo continuamente, pause e depois toque as quatro peças de estúdio.
- Segunda audição: Acompanhe Jenkins e Ratledge como dois sistemas de teclado e melodia.
- Terceira audição: Compare as bases ao vivo de Hopper aos efeitos solitários de 1983.
- Depois continue: Passe a Seven para ouvir Babbington substituir Hopper e Jenkins assumir maior controle composicional.
Trilha de pesquisa
Fontes e leituras adicionais
- História oficial do Soft Machine — Soft Machine
- Discografia de estúdio do Soft Machine — Calyx: The Canterbury Discography
- Análise de catálogo de Six — Calyx
- Registro do lançamento original e das faixas de Six — MusicBrainz
- Histórico do grupo de lançamentos de Six — MusicBrainz