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Guia de álbum clássico

Fifth

Soft Machine · 1972 · Rock progressivo / jazz rock

O primeiro álbum do Soft Machine depois de Robert Wyatt se divide nitidamente entre as sessões voláteis de Phil Howard em 1971 e o lado mais comedido de John Marshall em 1972, com Elton Dean, Hugh Hopper e Mike Ratledge buscando espaço dentro de ambos.

Lançado em 1972Sete faixasDuas formações de gravação
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O disco

Visão geral

Artista
Soft Machine
Lançamento
1972
Gravado
Advision Studios, Londres
Baterista do primeiro lado
Phil Howard
Baterista do segundo lado
John Marshall
Produtor
Soft Machine

Por que importa

Uma fratura de pessoal torna-se a forma do álbum

Fifth importa porque documenta a mudança sem disfarçá-la como progresso contínuo. O primeiro lado original foi gravado com Phil Howard, cuja bateria favorece impulso livre e deslocamento abrupto. Depois que ele saiu, John Marshall concluiu o segundo lado com ataque mais centrado e econômico. A divisão de lado é, portanto, mudança genuína de filosofia rítmica.

O álbum é o primeiro do Soft Machine sem Wyatt. Já não existe tensão entre identidade de cantor-compositor e jazz instrumental porque o cantor se foi; a questão central passa a ser como Ratledge, Hopper e Dean organizam espaço depois de perder o baterista cuja soltura os moldara por anos.

A resposta é incomumente esparsa. Fifth evita a escrita massiva com convidados de Fourth e raramente busca as estruturas monumentais de Third. Temas podem ser reduzidos a linha de baixo, escala, célula rítmica ou melodia clara. O ouvinte escuta a banda testando quão pouco material basta para criar ambiente completo.

1971–72

Wyatt sai, Howard grava, Marshall conclui

Wyatt deixou o Soft Machine em agosto de 1971 e formou o Matching Mole. O baterista australiano Phil Howard, já ligado ao Just Us de Elton Dean, entrou no grupo e excursionou pela Europa no outono. A formação foi ao Advision Studios em 22–24 de novembro e 7 de dezembro para gravar All White, Drop e M.C.

Howard saiu depois dessas sessões. Ratledge, Hopper e Dean então recrutaram o ex-baterista do Nucleus John Marshall. O segundo lado — As If, L.B.O., Pigling Bland e Bone — foi gravado no Advision de 21 a 25 de fevereiro de 1972. Gary Martin fez a engenharia, e a banda produziu as duas fases.

O álbum concluído preserva, não apaga, essa cronologia. Dean sairia mais tarde em 1972, e Karl Jenkins entraria em Six, enquanto Marshall permaneceu. Fifth é, portanto, o único álbum de estúdio a conter Howard e a última aparição de Dean em estúdio com o Soft Machine.

Duas formações de sessão

Três músicos contínuos e dois bateristas incompatíveis

Mike RatledgePiano elétrico e órgão
Hugh HopperBaixo
Elton DeanSaxofone alto, saxello, piano elétrico e flauta doce
Phil HowardBateria em All White, Drop e M.C.
John MarshallBateria em As If, L.B.O. e Pigling Bland
Roy BabbingtonContrabaixo convidado em As If
Gary MartinEngenheiro
Soft MachineProdutor

Howard trata o tempo como algo que pode ser aberto à força. Seus acentos chegam em grupos, seus pratos criam clima ao redor dos sopros e seu movimento para a frente pode se tornar deliberadamente instável. A abordagem dá a All White, Drop e M.C. uma borda inquieta mesmo quando o material escrito é econômico.

Marshall faz o segundo lado parecer mais pesado sem necessariamente torná-lo mais alto. Define pulsação e forma com mais firmeza, deixando Ratledge e Dean criarem ambiguidade por cima. L.B.O. revela sua identidade em miniatura; Pigling Bland mostra como seu controle sustenta um dos temas mais melódicos de Ratledge.

Hopper é a continuidade entre as duas abordagens. Seu baixo elétrico pode estabelecer moldura mínima para improvisação ou travar-se a Marshall. Dean acrescenta cada vez mais piano elétrico aos sopros, enquanto a cor da flauta doce em Bone torna sua saída quieta, não espetacular.

Sonoridade e construção

Temas esqueléticos com tipos radicalmente diferentes de movimento

O primeiro lado tem superfície eletrizada. A bateria de Howard ameaça continuamente se desprender do centro aparente, e Dean responde com linhas que tratam a instabilidade como convite. Piano elétrico e órgão de Ratledge fornecem formas sem encerrar os improvisadores.

All White apresenta tema suficiente para ser memorável e deixa o quarteto desmontá-lo. Drop dá a Howard campo ainda mais aberto, enquanto M.C. reduz o ambiente a escala, cor e pulsação. As três peças parecem relacionadas pelo comportamento, não por título de suíte.

As If muda imediatamente a sala. Marshall e o contrabaixista convidado Babbington aprofundam o piso, fazendo do baixo elétrico de Hopper parte de um registro grave estratificado. O material de baixo inicial e final emoldura um centro que pode vagar sem perder limite.

L.B.O. é composição curta de Marshall construída em torno da bateria. Limpa o ouvido antes de Pigling Bland, cuja melodia forte vem da era Volume Two e contrasta fortemente com a austeridade dominante de Fifth.

Bone termina sem clímax da banda completa. A miniatura centrada nos sopros de Dean estreita a perspectiva, deixando timbre e respiração encerrarem um álbum cuja maior história foi a organização mutável do ritmo.

Guia de faixas

Sete peças divididas por virada de lado e mudança de baterista

01

All White

O tema de Ratledge oferece entrada clara sem ditar o que deve seguir. O vazio do título combina com música que começa em contorno e deixa a interpretação preencher o espaço.

A bateria de Howard faz o material escrito parecer provisório. Dean alterna afirmação e fuga, enquanto Hopper mantém centro suficiente para o quarteto se reunir.

02

Drop

O título descreve descida súbita e remoção do apoio. A composição de Ratledge dá pontos de contato ao grupo, mas muito do drama vem da rapidez com que eles desaparecem.

Dean acrescenta piano elétrico além dos sopros, complicando a divisão habitual entre teclado e sopros. Howard torna arriscada cada reentrada, fazendo da abertura a principal energia da faixa.

03

M.C.

A peça compacta de Hopper é menos melodia a desenvolver que atmosfera moldada por escala para habitar. As iniciais recusam orientação narrativa e devolvem atenção ao som.

O baixo estabelece o campo enquanto Dean e Ratledge testam as bordas. A última aparição de Howard em estúdio com a banda termina o lado em suspensão, não despedida.

04

As If

Ratledge emoldura a faixa mais longa com ideia de baixo que aparece no começo e no fim. O centro pode abrir-se amplamente porque o ouvinte preserva a memória desse limite.

A pulsação mais firme de Marshall e o contrabaixo de Babbington distinguem imediatamente a segunda formação de sessão. Vozes graves elétrica e acústica criam profundidade sob os sopros exploratórios de Dean.

05

L.B.O.

A composição de noventa segundos de Marshall faz da percussão o acontecimento, não acompanhamento. Sua escala compacta funciona como assinatura colocada dentro do primeiro lado de álbum dele com o Soft Machine.

Depois da amplitude de As If, a peça de bateria redefine a proporção. Também prepara Pigling Bland sem tentar ligar melodicamente as duas peças.

06

Pigling Bland

Ratledge compôs este tema em 1969 como coda ligada a Esther's Nose Job. Removida do cenário anterior, sua melodia ampla chega a Fifth como memória recuperada de um Soft Machine mais exuberante.

Marshall dá à melodia plataforma firme e sem pressa. Órgão e sopros podem enunciar a linha com abertura incomum, fazendo a própria melodia parecer dramática depois da austeridade anterior.

07

Bone

A peça final de Dean reduz o álbum à cor dos sopros e pequena forma exposta. O título sugere estrutura sem carne, imagem adequada à economia de Fifth.

A flauta doce acrescenta borda frágil à paleta de sopros de Dean. Em vez de anunciar sua saída iminente, o álbum deixa sua última contribuição de estúdio recuar por respiração e timbre.

Não é um conceito unificado

Espaço, instabilidade e o problema da continuidade

Fifth não é álbum conceitual narrativo. Sua unidade vem da austeridade e do contraste entre duas formações de gravação. Títulos como Drop, As If e Bone estimulam interpretação, mas nenhum personagem ou enredo compartilhado os conecta.

O espaço é a preocupação mais constante do disco. Temas costumam ser pequenos o bastante para que silêncio, sustentação e distância instrumental virem partes ativas da música. Howard preenche e fratura esse espaço; Marshall o mede e estabiliza.

Continuidade é, portanto, questão prática, não slogan. Hopper, Ratledge e Dean permanecem nos dois lados, mas a mudança de baterista altera seu comportamento. O álbum pergunta se a identidade reside no pessoal, na composição, no som ou no método de responder à mudança.

O numeral cinco

Um cinco nu esconde interior complicado

A capa reduz o álbum a um grande numeral 5. Como Fourth, oferece ordem de catálogo em vez de cena, retrato ou conceito explicativo.

A simplicidade gráfica esconde a divisão mais importante do disco. Nada no numeral anuncia que um baterista ocupa o primeiro lado e outro, o segundo; o ouvinte descobre a fratura por interpretação e créditos.

O título aparece em formas por extenso e numeral em diferentes contextos de catálogo. Tratar Fifth e 5 como o mesmo álbum evita inventar identidades separadas, respeitando a escolha visual contundente da capa.

O lançamento de 1972

Um álbum de transição que se recusa a suavizar a transição

Fifth apareceu em 1972 com sete faixas originais. Continuou a direção totalmente instrumental de Fourth, mas trocou os muitos convidados e a escrita densa daquele álbum por som menor e mais exposto.

A divisão de pessoal dificultou ouvir o disco como nova era assentada. O lado de Howard capturou banda de turnê breve; o de Marshall apresentou o baterista que se tornaria central à história posterior do Soft Machine.

Ouvintes posteriores muitas vezes valorizaram o álbum exatamente pela instabilidade. Suas duas metades permitem rara comparação direta: os mesmos três músicos contínuos se reorganizam ao redor de baterias radicalmente diferentes dentro de um programa de estúdio.

Rumo a Six

O último capítulo de estúdio de Elton Dean

Fifth é o único álbum de estúdio do Soft Machine com Howard e o último com Dean. Isso faz dele corredor estreito, mas crucial, entre o quarteto de Wyatt e o período Marshall–Jenkins.

A chegada de Marshall mostrou-se duradoura. Sua precisão, força e experiência no Nucleus ajudaram a sustentar a linguagem de fusão mais orientada por riffs que surgiu em Six e discos posteriores. Fifth captura a mudança antes que o estilo esteja plenamente estabelecido.

O álbum também preserva Pigling Bland, composição antiga de Ratledge cuja melodia liga a escrita de 1969 ao contexto mais esparso de 1972. Sua sobrevivência demonstra que o desenvolvimento do catálogo não foi rejeição limpa do passado.

Qual edição?

A All White alternativa é contexto, não oitava faixa original

Álbum original com sete faixasTrês interpretações de Howard no primeiro lado e quatro peças de fevereiro de 1972 no segundo.
Fourth / Fifth de 1999Os dois álbuns consecutivos reunidos num CD Columbia/Rewind.
Remasterização Sony de 2007Acrescenta uma tomada alternativa de All White depois do programa original completo.

Não confunda a All White alternativa da edição de 2007 com parte do LP original. O álbum histórico termina em Bone depois de sete faixas.

A reunião de 1999 torna especialmente clara a transição de pessoal. Ouça Wyatt encerrar Fourth, Howard desestabilizar o primeiro lado de Fifth e Marshall reconstruir o segundo.

O lançamento de arquivo Drop, de 2008, documenta a formação de Howard em concertos alemães de outubro e novembro de 1971. Fornece o comportamento ao vivo por trás das gravações de estúdio do primeiro lado sem reescrever o álbum.

Um percurso de escuta

Compare os bateristas antes de comparar as composições

  1. Primeira audição: Pause na virada de lado original e registre a mudança imediata de Howard para Marshall.
  2. Segunda audição: Acompanhe o baixo de Hopper para ouvir o que permanece constante nas duas formações de gravação.
  3. Terceira audição: Compare as molduras mínimas de M.C. e As If com a melodia recuperada de Pigling Bland.
  4. Depois continue: Passe a Six para o primeiro álbum completo de Marshall no Soft Machine e a chegada de Karl Jenkins depois de Dean.

Trilha de pesquisa

Fontes e leituras adicionais

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