O U.K. condensou duas bandas nitidamente diferentes num catálogo de dois álbuns de estúdio e um disco ao vivo contemporâneo. O quarteto de 1978 uniu a experiência de John Wetton e Bill Bruford no King Crimson aos teclados e ao violino elétrico de Eddie Jobson e à guitarra legato de Allan Holdsworth. O trio de 1979 manteve Wetton e Jobson, mas substituiu o diálogo aberto entre guitarra e bateria pela precisão vigorosa e composta de Terry Bozzio.
Esse pequeno catálogo captura uma discussão maior dentro do rock progressivo do fim dos anos 1970: se a técnica avançada deveria levar à improvisação ou a uma arquitetura de canção concisa e moderna. O U.K. nunca resolveu a questão. Em vez disso, a estreia e Danger Money preservam respostas opostas, ambas ancoradas pelo baixo melódico e pela voz de Wetton.
O cofundador do U.K. Eddie Jobson se apresentando em 1973.Foto: Klaus Hiltscher / Wikimedia Commons · Licenciada sob CC BY-SA 2.0. Convertida para WebP nesta página.
Formação e história
Wetton convidou Bruford para formar um novo grupo em 1977 e propôs recrutar Jobson da banda de Frank Zappa. Bruford, preocupado que o projeto pudesse se inclinar demais ao pop, sugeriu Holdsworth como contrapeso. Os quatro gravaram a estreia no Trident Studios em novembro de 1977 e a lançaram na primavera seguinte. “In the Dead of Night” e “Thirty Years” partiram de ideias que Wetton e Jobson já desenvolviam, enquanto o arranjo do quarteto deixava espaço para Holdsworth e Bruford puxarem a música em direção ao jazz-rock.
Depois de muitas turnês em 1978, esse equilíbrio desmoronou. Holdsworth e Bruford queriam mais liberdade de improvisação; Wetton e Jobson preferiam uma direção de rock mais composta. O quarteto terminou, e Jobson recrutou seu ex-colega da banda de Zappa, Terry Bozzio. Sem conseguir um guitarrista substituto, o novo U.K. continuou como trio para Danger Money. Fizeram turnês durante 1979, gravaram Night After Night em Tóquio em maio e junho e concluíram as últimas datas europeias em dezembro. O grupo se dissolveu antes de um terceiro álbum de estúdio planejado. Jobson e Wetton reativaram o U.K. para concertos a partir de 2011, com músicos de apoio variáveis, e as últimas apresentações da reunião ocorreram em 2015.
Sonoridade e estilo
Na estreia, o baixo de Wetton é gancho e âncora harmônica. Jobson sobrepõe órgão, sintetizador e violino elétrico ao redor, enquanto as linhas de Holdsworth evitam o fraseado convencional do blues e Bruford coloca acentos através da pulsação escrita. “In the Dead of Night” pode, assim, passar de um refrão vocal firme a solos que parecem afrouxar a estrutura dos compassos sem perder a composição por baixo.
O trio muda a distribuição do espaço. Jobson precisa cobrir mais harmonia e contraponto sem guitarrista, e Bozzio trata cada virada composta como evento físico. “Danger Money” se torna mais densa e teatral; “Rendezvous 6:02” abre espaço para uma melodia compacta e melancólica; “Carrying No Cross” reconstrói a forma longa por camadas de teclado e dinâmica crescente. As duas versões soam polidas, mas a interação móvel da estreia e o peso concentrado do trio são projetos realmente diferentes.
Álbuns essenciais
1978
U.K.
E.G./Polydor · Lançamento original de 1978
U.K. registra o quarteto antes que suas prioridades concorrentes se tornassem insustentáveis. A suíte de abertura une a melodia vocal de Wetton aos sintetizadores de Jobson, à pulsação deslocada de Bruford e a um solo de Holdsworth que desliza pelas divisões de compasso. “Thirty Years” passa de uma abertura suspensa a um impacto de conjunto rigorosamente controlado; “Nevermore” dá a Holdsworth espaço harmônico maior; “Mental Medication” encerra com a seção rítmica puxando o material escrito para a fusion. A tensão do disco é estrutural, não apenas biográfica: composição e improvisação continuam se testando.
Faixas essenciais: In the Dead of Night · Thirty Years · Nevermore
Danger Money substitui a transparência do quarteto da estreia pelo poder concentrado de um trio. Jobson usa teclados para ocupar o registro da guitarra ausente e traz o violino elétrico à frente como voz contrastante. Bozzio faz as paradas e os acentos da faixa-título parecerem percussivamente inevitáveis, enquanto “Rendezvous 6:02” reduz a escala ao artesanato melancólico de Wetton. “Carrying No Cross”, de doze minutos, então permite que o trio reconstrua amplitude sinfônica sem recriar a instrumentação da estreia.
E.G./Polydor · Lançamento original ao vivo de 1979
Gravado no Nakano Sun Plaza e no Nippon Seinenkan, em Tóquio, em maio e junho de 1979, Night After Night é mais que uma lembrança de turnê. A faixa-título e “As Long as You Want Me Here” eram peças novas ausentes dos álbuns de estúdio, e o trio recria “In the Dead of Night” sem guitarra ao redistribuir suas linhas entre teclados, violino, baixo e bateria. A sequência original é concisa, mas documenta como Bozzio, Jobson e Wetton fizeram a formação reduzida soar completa no palco.
Faixas essenciais: Night After Night · Rendezvous 6:02 · In the Dead of Night
O U.K. oferece uma comparação excepcionalmente clara entre duas abordagens ao rock progressivo depois do auge do início dos anos 1970. O quarteto trata virtuosismo como conversa: canções escritas continuam permeáveis à guitarra de Holdsworth e ao deslocamento rítmico de Bruford. O trio trata virtuosismo como concentração: Jobson, Wetton e Bozzio fazem cada parte carregar mais peso harmônico ou rítmico.
Como o catálogo é tão pequeno, nenhum dos projetos vira rotina. A franqueza melódica depois associada a Wetton permanece ao lado dos instintos exploratórios de seus antigos colegas do Crimson, enquanto o violino de Jobson e a tecnologia de teclados em rápido desenvolvimento conectam o rock sinfônico a uma linguagem de produção mais limpa do fim dos anos 1970. Músicos de rock técnico ainda retornam ao U.K. porque arranjo e identidade instrumental são inseparáveis nesses discos.
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